A tarde do domingo foi uma comum tarde de outono, consegui ver o sol raras vezes quando ele conseguiu irromper a barreira de nuvens carregadas, as folhas secas fazendo seu balé pelos ares, o clima ameno e o vento fresco traziam a chave do baú de lembranças de quando eu era uma mera garota de sete anos, quando a vida corria tranquila, onde os dias eram banhados por alegria e as tardes acompanhadas de gargalhadas no quintal, quando no sábado acordava cedo para ver TV Globinho na cama da minha mãe, e depois comia panquecas com geléia. A nostalgia trazia à tona a saudade e a vontade de voltar no tempo, à esperança de que dias como aqueles aconteçam mais vezes. Traziam também o desejo de passear no parque de mãos dadas, uma entrelaçada com a do pai e outra com a da mãe.
Na boca da noite fomos à casa da minha avó, e quando chegamos lá vimos rosquinhas expostas sobre a mesa, bolinhos de todos os tamanhos e sabores penas saídos do forno, xícaras de café transbordando seu vapor adocicado, bolinhos de chuva polvilhados por açúcar dando a impressão de que nevou exclusivamente sobre a cesta de bolinhos, a família estava toda reunida o que me fez ter saudade de coisas que nunca aconteceram, de sensações nunca sentidas e de pessoas nunca vistas.
Já de noite o frio tomara poder sobre o clima ameno, e para aliviá-lo chocolate quente com biscoitos acompanhados por uma manta para esquentar os ossos e um filme para completar o domingo mágico que sem duvidas sentirei vontade de revivê-lo por todo o resto de minha vida, e que lembrarei todas as noites de outonos restantes.